Tudo o que você gostaria de saber sobre o Mashiach
Extraído do Livro “When Moshiach Comes” do Rabino Chayoun

“Um rebento sairá do tronco de Ishai e um ramo de suas raízes brotará.
E sobre ele pousará o espírito do Eterno, espírito de sabedoria
e compreensão, de capacidade de aconselhamento e de fortaleza, de
conhecimento e de temor ao Eterno.” (Ieshaiáhu 11:1-2)

A Identidade de Mashiach

O Rei Mashiach será um desconhecido; não se saberá nada nem sobre sua formação nem sobre sua família. Como o Rambam escreve: “Veja, você não saberá do seu aparecimento antes que ele surja, como se pode dizer sobre ele, por exemplo, que é filho de tal ou qual, ou da família de fulano ou ciclano. Em vez disso vai surgir um homem que será desconhecido de se revelar” (“Igueret Teiman”).

A Guemará ainda relata:
Qual é o nome dele [Mashiach]?
A escola de R. Shiló disse, “Shiló é seu nome...”
A escola de R. Yanai disse, “Yinon é seu nome...”
A escola de R. Chaniná disse, “Chaniná é seu nome...”
E alguns dizem, “Menachem bem Chizkiyahu é seu nome.”
R. Nachman disse, “Se Mashiach está entre os vivos, ele é como eu...”

Rav disse, “Se ele está entre os vivos, ele será nosso mestre sagrado [Rabi Iehudá HaNassi]. Se ele está entre os mortos, ele deve ter sido Daniel, ‘o homem mais bem-amado [Daniel 10:11].” (Sanhedrin 98b)

Rashi explica esta guemará de duas maneiras:
Se Mashiach está vivo, ele é certamente R. Iehudá HaNassi, que está doente e é piedoso. Se ele está morto ele tem que ser Daniel, que sofreu. Se Mashiach está vivo, ele é alguém como R. Iehudá HaNassi. Se ele está morto, ele é alguém como Daniel. Para que não se diga que Rambam contradiz Rashi, vamos dizer que, mesmo de acordo com sua primeira explicação, as pessoas não acreditaram que R. Iehudá HaNassi era Mashiach, e não tinham nem mesmo certeza se Mashiach estava vivo ou morto. Estavam simplesmente enfatizando que cada uma das pessoas mencionadas na guemará era adequada para ser Mashiach na sua geração.

De acordo com a segunda explicação de Rashi, Rav não quis dizer que R. Iehudá HaNassi e Daniel eram os únicos candidatos a Mashiach das suas gerações, mas que Mashiach se pareceria com eles. Assim Rav Chaim Vital insinua que seu rebe, o santo Ari, encaixava se bem para ser Mashiach. Como R. Chaim escreve: “Qualquer um que seja o redentor de Israel vai ser alguém que sofreu e conheceu a doença, como foi o caso do Ari” (R. Chaim Kohen, Torat Chaim, p.17). De maneira similar, o rebe do Remá (grande sábio que apareceu no Shulchan Aruch com suas observações sobre halachot para ashkenazim), R. Shalom Shachna, argumenta que o nome de Mashiach é Shachna, e R. Chaim ben Atar escreve que é Chaim. Vale lembrar que em Igêret Teiman, Rambam afirma que o Mashiach estará vivo no momento da redenção.

R. Yitzchak Abarbanel comenta sobre a nossa guemará: Eles falaram sobre “o nome de Mashiach”, não sobre o próprio Mashiach, porque não estavam discutindo a realidade de Mashiach, mas aquilo que a nação precisava que ele fosse, como se observa com seu nome: [Se] seu nome é Shiló, isso implica que haverá paz [um jogo de palavras com “Shiló”] e verdade em seus dias. [Se] seu nome é Yinon, isso indica que ele será superior (“elion”) [um jogo de palavras com “Yinon”] a todos os reis. E [se] seu nome é Menachem [literalmente, “quem conforta”], será um sinal de que “ele vai nos confortar por causa dos nossos atos [Bereishit 5:29]”. Sem dúvida, cada um dos sábios estava procurando a virtude única [que Mashiach terá, definitivamente] e [portanto] associou o nome de Mashiach com o seu nome. (Yeshuos Meshicho, p. 47)

Em outro lugar Abarbanel assevera que aqui “Mashiach” não precisa significar redentor, já que tanto Shaul quanto Koresh, um idólatra, são chamados Mashiach. Então, o termo pode significar qualquer rei ungido ou escolhido. Abarbanel provou, inclusive, que “Mashiach” pode se referir a qualquer um em estatura, não sendo nem mesmo necessariamente da realeza.

A genealogia de Mashiach

Mashiach é da dinastia de David e descende de Shlomó. Como Rambam escreve: “...não há outro rei em Israel fora da casa de David e da semente de Shlomó, e qualquer um que desafia esta família, está negando D’us e as palavras dos Seus profetas” (“Perek Chelek”). O R. Ovadyah de Bartenura observa que cada geração tem um descendente de Iehudá apropriado para ser Mashiach. O Chatam Sofer repete esta idéia: “No dia em que o Templo foi destruído, nasceu imediatamente um indivíduo cuja retidão é tal que ele pode ser Mashiach. E quando chegar a hora, D’us vai Se revelar para ele e mandá-lo, e depois vai derramar sobre ele aos poucos o espírito de Mashiach que está oculto e reservado lá em cima” (Responsa, vol. 6, cap. 98). Assim também escreve o R. Tzadok HaKohen de Lublin: “Em cada geração há uma alma adequada para ser Mashiach se a geração o merece” (Pri Tzadik, “Devarim” 13).

Sinais de Mashiach

Disse R. Alexandri: R. Iehoshuá propôs a seguinte contradição: está escrito, “percebi que das nuvens do céu descia alguém semelhante ao filho de um homem” [Daniel 7:13]; e também está escrito, “Eis que se encaminha para ti teu justo rei, ... comportando-se humildemente e montado num jumento” [Zecharia 9:9]. Se [os Judeus] tiverem méritos, [ele virá] “com as nuvens do céu”; caso contrário, [ele será] “humilde e montará um jumento.” (Sanhedrin 98a) O Ohr HaChaim explica esta guemará como segue:

Se a redenção for por causa dos méritos de Israel, ela será de um grau maravilhoso. E o redentor de Israel será revelado do céu com sinais e maravilhas. ... [Entretanto,] se a redenção for no fim [do período determinado para o exílio], e Israel não merecê-la, será de uma outra maneira que ele virá, sobre a qual está dito: o redentor virá “humilde e montado num jumento” [Zechariá 9:9]. (BaMidbar 24:17) Portanto, Mashiach só será reconhecido pelos seus sinais e maravilhas se ele vier antes do tempo. Outrossim, Rambam escreve: “... um homem vai surgir, que será um desconhecido antes de revelar-se, e os sinais e maravilhas que vão aparecer pela sua mão são as provas da sua verdadeira genealogia” (“Igueret Teiman”).

Entretanto, Rambam também legisla: “Não se deve presumir que o rei Mashiach deva produzir sinais e maravilhas, fazer surgir novas criações no mundo, ressuscitar os mortos ou realizar feitos similares. Isto não é verdade.” (Mishné Torá, Hilchot Melachim 11:3). E Rambam continua: Se surgir um rei da casa de David que estuda Torá, se ocupa com mitsvot como está prescrito na lei escrita e oral (como fez seu antepassado David), compele todo Israel a andar nos [caminhos da Torá] e reforça as brechas que há entre eles, e se ele combate as guerras de D’us, ele é presumivelmente Mashiach.

Se ele fez [tudo isso] e teve sucesso, e se ele construiu o Templo no seu lugar e reuniu os dispersos de Israel, ele é definitivamente Mashiach. (ibid. 11:4) Em resumo, por um lado Rambam propõe que os sinais e maravilhas vão identificar Mashiach e pelo outro ele declara que Mashiach não precisa realizar milagres. Esta aparente contradição é resolvida facilmente: Em “Igueret Teiman” Rambam está discutindo uma redenção precoce, na qual sinais e maravilhas caracterizarão Mashiach. Em “Mishné Tora” Rambam descreve a redenção que chegará a seu tempo, que vai ser “natural”, e então Mashiach vai ser gradualmente identificado. (R. Chaim Kanievsky, shlita, concordou com o autor quando ele lhe deu esta explicação do Rambam).

A Capaci dade de “Cheirar e Julgar”

Ele vai farejar o temor a D’us, e não vai julgar de acordo com o que seus olhos vêem... (Ieshaiáhu 11:3). A Guemará relata: “Bar Koziva reinou dois anos e meio quando então disse aos rabinos, ‘Eu sou Mashiach’. Eles lhe disseram, ‘foi dito que Mashiach cheira e julga. Vamos ver se você pode fazer isso’... Quando eles viram que ele não podia..., eles o mataram”. (Sanhedrin 93b). Isto quer dizer que a capacidade de julgar pelo olfato é uma marca registrada de Mashiach. Porém, Rambam legisla o seguinte: Não se deve presumir que o rei Mashiach deva produzir sinais e maravilhas... Isto não é verdade. Porque veja, ... [R. Akiva] e todos os sábios da sua geração imaginaram que [Bar Koziva] era o rei Mashiach até que ele foi morto por causa dos pecados. Depois de morto, eles ficaram sabendo que ele não era [Mashiach].

E [os sábios] não lhe perguntaram nem por sinais nem por maravilhas. (Hilchot Melachim 11:3) Raavad rejeita esta decisão citando a guemará acima, que declara que Bar Koziva foi testado com respeito à capacidade de julgar pelo olfato. Outros comentários sobre Rambam negam que ele considera este talento um dos sinais e maravilhas de Mashiach na redenção precoce. Além disso a declaração do Rambam de que Bar Koziva não foi testado se baseia numa alegação midráshica, de que ele foi assassinado por pagãos. Alternativamente, a capacidade de cheirar e julgar não é um sinal ou uma maravilha, simplesmente indica que a pessoa é suficientemente íntegra e anta para ser Mashiach. Portanto, ao invés de realizar milagres Mashiach só precisa cheirar se a redenção vai ser na forma apressada ou não.

A Grandeza de Mashiach

Rambam afirma que Mashiach será mais espiritual que qualquer outro profeta, com exceção de Moshé. Entretanto, de acordo com o Midrash Tanchumá, Mashiach vai ultrapassar inclusive Moshé. Outros adotam uma posição transigente: argumentam que Mashiach vai exceder Moshé em liderança – porque o redentor vai ocupar o trono de D’us – mas não em profecia. Por outro lado, o Zohar declara que Moshé é Mashiach. Todos concordam que Mashiach será mais sábio que Shlomó. Além do mais, Mashiach vai ter a capacidade de matar só com a palavra. Como observa Rambam em “Igueret Teiman”, “... com o alento dos seus lábios ele vai matar os maus” (Ieshaiáhu 11:4). Rambam também escreve: Este rei [Mashiach] será grande, ele vai reinar em Sion, seu nome será grande, e sua lembrança vai ser guardada pelas nações mais do que a de Shlomó HaMelech. Todas as nações farão a paz com ele, e todos os países vão servi-lo... e qualquer um que se levante contra ele, D’us vai destruí-lo... e entregá-lo... nas suas mãos. (“Perek Chelek”) Kolel.

Onde Mashiach vai se Revelar

Rambam declara: a primeira aparição de “[Mashiach] será em Eretz Israel. Como está escrito: ‘...de repente, então, o Senhor a quem procurais, vai entrar na sua recâmara, e o mensageiro da Aliança, a quem tanto desejais, olha, está chegando! diz o Senhor das Hostes’ [Malachi 3:1]” (“Igueret Teiman”).

Como Mashiach vai se Revelar

Quando o rei Mashiach chegar ele vai subir no telhado do Templo e anunciar a Israel o seguinte, ‘A hora da sua redenção chegou! E se vocês não acreditam, olhem minha luz que brilha sobre vocês.’ Nesse momento o Santo, Bendito seja Ele, vai fazer resplandecer a luz do rei Mashiach e de Israel, e todos irão em direção a [esta] luz... e virão lamber o pó sob [seus] pés..., e todos virão e cairão sobre suas faces diante de Mashiach e diante de Israel e dirão, “Nós seremos escravos para você e para Israel,” e cada judeu terá 2.800 escravos. (Yalkut Shimoni, Ieshaiáhu 49:9)

Seus Feitos

Rambam decreta que Mashiach vai restaurar a soberania do rei David, reconstruir o Templo, reunir os dispersos de Israel, ensinar Torá às nações e compelir a sua observância, lutar as batalhas de D’us e melhorar o mundo, inspirando todos os povos a servirem a D’us juntos. Entretanto Rashi e Tossafot afirmam que o terceiro Templo vai descer do céu. Aruch LeNer apresenta uma alternativa: Mashiach vai construir o templo físico mas seu equivalente espiritual vai descer do céu e entrar na construção. Assim que o reinado de Mashiach for estabelecido e Israel tenha sido reunido ao seu redor, ele vai usar a percepção Divina para identificar os verdadeiros Cohanim e Levi’im, e elucidar a tribo de origem de cada um. Mas ele não vai dizer que alguém que se supõe ser de uma linhagem pura seja um mamzer, um descendente de escravos, etc.

Bênçãos a serem Pronunciadas quando Mashiach Chegar

Citando R. Shemuel Houminer, o R. Shlomó Zalman Auerbach escreve que quando Mashiach chegar vamos proferir três bênçãos:
“Bendito és Tu...., que Conheces os segredos” (uma bênção que se diz ao ver 600.000 ou mais judeus juntos);
“Bendito és Tu...., que repartiu da Sua sabedoria para aqueles que O temem” e “Bendito és Tu...., que repartiu da Sua honra para aqueles que O temem”.
R. Houminer sentiu que as últimas duas bênçãos podiam ser combinadas, mas R. Auerbach discordou. Lev Chaim diz que a bênção “Bendito és Tu...., Redentor de Israel” também deve ser proferida.
Todos concordam que deve se recitar o “shehecheyanu”.